Fundamentos Epistemológicos

“É a reflexão que nos fará ver a consistência até de nossa própria conceituação, e que,articulada a nossa ação, estará permanentemente transformando o processo social,o processo educativo, em busca de uma significação mais profunda para a vida e para o trabalho”.

(Terezinha Azeredo Rios, 1977- p.67)

Aprendizagem é o processo pelo qual o indivíduo adquire informações, habilidades, atitudes, valores etc, a partir de seu contato com a realidade, o meio ambiente, as outras pessoas. Inclui a interdependência dos indivíduos envolvidos no processo – incluindo sempre aquele que aprende, aquele que ensina e a relação entre as pessoas. O desenvolvimento fica impedido de ocorrer na falta de situações propícias ao aprendizado.
O ser humano cresce num ambiente social e a interação com outras pessoas é fundamental para o seu desenvolvimento. Vygotsky afirma que “ao mesmo tempo em que o ser humano transforma o seu meio para atender suas necessidades básicas, transforma-se a si mesmo”.

Para ser considerada como possuidora de certa habilidade, a criança tem que demonstrar que pode cumprir a tarefa sem nenhum tipo de ajuda. Essa possibilidade de alteração no desempenho de uma pessoa pela interferência de outra é fundamental na teoria de Vygotsky. Não é qualquer indivíduo que pode, a partir da ajuda do outro, realizar qualquer tarefa. A capacidade de se beneficiar de uma colaboração de outra pessoa vai ocorrer num certo nível de desenvolvimento, mas não antes da mediação do educador, seja ele de qual natureza for. Ele atribui importância extrema à interação social no processo de construção das funções psicológicas humanas. O desenvolvimento individual se dá num ambiente social determinado e a relação com o outro, nas diversas esferas e níveis da atividade humana, é essencial para o processo de construção do ser psicológico individual (OLIVEIRA, 1993).

Se o aprendizado impulsiona o desenvolvimento, então a escola tem um papel essencial na construção do Ser psicológico, dos indivíduos que vivem em sociedades escolarizadas. Mas o desempenho desse papel só se dará adequadamente quando, conhecendo o nível de desenvolvimento dos alunos, a escola dirigir o ensino não para etapas intelectuais já alcançadas, mas sim para estágios de desenvolvimento ainda não incorporados pelos alunos, funcionando realmente como um motor de novas conquistas psicológicas.

O processo de ensino-aprendizado na escola deve ser construído, tomando como ponto de partida o nível de desenvolvimento real da criança e como ponto de chegada os objetivos estabelecidos pela escola, supostamente adequados à faixa etária e ao nível de conhecimentos e habilidades de cada grupo de crianças. O percurso a ser seguido estará balizado pelas possibilidades das crianças.

De acordo com Vygotsky “a escola tem o papel de fazer a criança avançar em sua compreensão de mundo a partir de seu desenvolvimento já consolidado e tendo como meta etapas posteriores, ainda não alcançadas”. Por sua vez, “o professor tem o explícito papel de interferir na zona de desenvolvimento proximal dos alunos provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente” (REGO, 1999, p. 85).

Diante do exposto, faz-se importante considerar o ensino como uma prática social específica, que se dá no interior de um processo de educação e que ocorre de maneira espontânea ou sistematizada, intencional e organizada, sempre que mediada pelo educador.

O ensino não é, portanto, um movimento de transmissão que termina quando a coisa que se transmite é recebida, mas “o começo do cultivo de uma mente de forma que o que foi semeado crescerá” (OAKESHOTT, 1968 – p. 160).

Fundamentos Didático-Pedagógicos

Os fundamentos didático-pedagógicos devem direcionar o trabalho pedagógico em toda a sua dimensão. O processo de apropriação e construção do conhecimento, a organização coletiva do trabalho de sala de aula e o relacionamento interpessoal são elementos fundamentais que se constituem na unidade de um trabalho pedagógico. As relações que se estabelecem entre educador-educando-conhecimento, no Colégio FUTUROVIP, devem refletir os fundamentos epistemológicos que são baseados na teoria da construção interacionista do conhecimento. Compreender como se ensina e como se aprende requer um entendimento de como o conhecimento é construído (fundamentos epistemológicos) e de como se faz a sua transposição didática (fundamentos didático-pedagógicos).

O conhecimento tem origem na interação do homem com o mundo. Esta interação é estabelecida no sujeito através de relações entre as representações mentais de que tem do mundo físico e social frente a um conhecimento científico sistematizado. O conhecimento organizado historicamente é o instrumental de análise de compreensão do mundo em que se está inserido. O conhecimento não se baseia no acúmulo de informações, mas sim numa reelaboração mental que deve se traduzir em forma de ação transformadora sobre o mundo.

A apropriação de saberes e conhecimentos, ou seja, o processo de ensino e aprendizagem, se dá na interação do sujeito consigo mesmo, com outros sujeitos e com os objetos do conhecimento. O sujeito, ao aprender, incorpora aos conhecimentos preexistentes um novo saber, que se integra em uma rede ampla de significados, provocando a transformação, isto é, a aprendizagem significativa. Aprender significativamente implica elaborar, construir e resolver problemas. Assim, ressalta-se que somente aprendeu quem trocou, construiu e ressignificou.

Nesse contexto o educando é o condutor de sua aprendizagem e não mero receptor de informações. Ensinar/Aprender é uma ação compartilhada entre educador e educando, acontecida através da dinâmica contínua que se estabelece entre os significados que o educador possui e as significações que o educando traz.

É um indivíduo com especificidade histórica, social, individual e sujeito das relações cognitivas. É ele quem faz seu percurso de conhecimento, utilizando competências e habilidades que o educador conhece, trabalha e estimula.

Dentro dos fundamentos propostos o educador deixa de ser um repassador de conteúdos e respostas imediatas pré-determinadas, para ser um problematizador da ação pedagógica construída numa atitude dialógica com os educandos como também com os seus colegas educadores e técnico-administrativos. Portanto, cabe ao educador e a nossa Instituição possibilitar o acesso do indivíduo ao conhecimento construído e acumulado pela humanidade.